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A frequência de lesões esportivas em crianças e adolescentes

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Cada vez mais tem sido precoce a participação de atletas jovens na prática esportiva – principalmente de forma competitiva – com o intuito de futuramente se profissionalizarem, e quem sabe até, defender o nome do país. A cada vitória brasileira; seja qual for a modalidade; crianças se fascinam pelo mundo esportivo. Para o esporte nacional é maravilhoso, contudo, para a maioria dessas crianças e adolescentes, pode não ser tão “legal” assim.

A maioria dos pais reconhece as vantagens da atividade física, e isso se reflete no aumento do número de meninos e meninas que praticam esportes regularmente. Contudo, pesquisas recentes revelaram uma crescente elevação nos números de lesões sérias nesse público jovem; mundialmente falando. As lesões mais comuns são as lesões traumáticas agudas (contusões, fraturas, luxações, roturas músculo – tendinosas, entorses e deslocamentos fisários (lesões de cartilagem de crescimento, que se transformará em osso posteriormente). Essas estão sempre relacionadas ao gesto esportivo da atividade praticada.

Vale ressaltar que essas lesões não dependem de um histórico e não há como garantir que não acontecerão. Pode ainda, ocorrer as chamadas lesões “por overuse”, que são as tendinites, apofisites, osteocondrites, etc; estando essas diretamente relacionadas ao treinamento e intensidade da atividade praticada. Essas lesões crônicas ou por esforço excessivo, se caracterizam por maior dificuldade de diagnostico e tratamento, sendo necessário um histórico de sobrecarga para que ela comece a ser sentida. Sendo assim, é mais comum em quem compete em alguma modalidade ou pratica esportes diversos.

Em lesões crônicas, também é para os pais muito mais difícil saber quando recorrer à ajuda médica, pois pode não haver um trauma óbvio ou sintomas que atrapalhem as atividades. Fraturas, tendinite ou fadiga geradas pelo estresse, acontecerão ao longo do tempo e, muitas vezes, apresentam sintomas sutis que crianças e adolescentes gostam de esconder. Isso prejudica o diagnóstico e o tratamento, além de permitir a evolução para uma lesão mais grave ou incapacitante.

Normalmente, nota-se dor e aumento de volume durante a fase de crescimento rápido desses atletas, podendo sim, serem agravados com intensos exercícios. É frequente a queixa de dor na região posterior do joelho (dor femuropatelar), principalmente para subir e descer escadas e agachar-se. Podendo haver ainda a queixa de falseio e derrame articular presente. Entretanto, a entorse de tornozelo se apresenta como a lesão esportiva mais comum. Ainda segundo pesquisas, 50% das lesões esportivas de crianças e adolescentes são em consequência do exagero de carga e repetições nas articulações. Pré-adolescentes e adolescentes são os mais atingidos, possivelmente porque pais e treinadores não se atentam para o fato de que estes são indivíduos em fase de crescimento. Treino sem pausa é inviável já que o corpo humano necessita de descanso. Criança (até nove anos de idade) deve ter a atividade esportiva inserida em sua vida como uma brincadeira, sem sobrecarregar o físico. Na pré-adolescência e adolescência,  deve-se tomar o cuidado de não afetar as placas de crescimento, pois devido à carga e esforço realizado, desencadeiam-se os processos inflamatórios.

Outro fator importante a ser ressaltado é a obesidade na infância e adolescência, tema que já é uma preocupação de saúde pública, uma vez que trás prejuízos à qualidade de vida. A atividade física nesse contexto é essencial, todavia, também necessita cuidados porque há uma suscetibilidade enorme a sobrecargas no sistema músculo-esquelético, por conseguinte, lesões osteomioarticulares.

O retorno seguro e rápido às atividades após uma lesão esportiva ou de uma doença, depende do reconhecimento da lesão e do tratamento precoce. Para tanto, atletas devem procurar um médico quando os sintomas não desaparecerem após o repouso e o tratamento em casa; quando haja uma condição que afete a atividade ou desempenho, quando não tenha diagnóstico e nem tenha sido tratado, e quando haja qualquer condição que pode ser um risco para os outros colegas. O ideal é passar por uma avaliação médica antes de iniciar a atividade esportiva.

Assim, cabe aqui destacar a prevenção, que deve começar com um planejamento das atividades físicas das crianças. É recomendável aos pais, ficarem atentos para que os esportes escolhidos por seus filhos não exijam (simultaneamente) o mesmo esforço motor. A escolha de esportes que trabalhem diversas partes do corpo é uma forma de prevenção interessante, pois “tira” a sobrecarga de um único grupamento muscular e articular. A prevenção deve ocorrer no campo ou quadra por meio de orientação técnica e uso de equipamentos adequados – que estejam de acordo com a altura e peso do praticante.

Embora pouco utilizado no Brasil, o uso de protetor bucal é recomendado pela American Dental Association – segundo avaliação específica de um dentista – em várias atividades esportivas tais como, futebol, boxe, basquete, voleibol, handebol, artes marciais, rugby, squash, tiro, surf, entre outros. Estima-se que entre 13% e 39% dos traumatismos dentários ocorrem durante a prática esportiva e aproximadamente 80% acometem os dentes da frente. Muitas vezes os tecidos moles também são atingidos devido ao morder a língua ou a bochecha. O tratamento além de requerer reimplantação que chega a ser de 15 a 30 vezes mais caro que a aquisição do protetor; pode necessitar de um período transitório com uso de aparelho removível, até que a criança ou adolescente atinja idade suficiente para a solução definitiva. Vale ressaltar o fator aquecimento e alongamento, desde que realizados de forma correta e no momento adequado; de acordo com o objetivo em questão. A postura correta também é um bom hábito a ser ensinado às crianças, pois interfere diretamente no gestual desportivo adequado a cada atividade.  Quanto mais houver um equilíbrio corporal, menor será a possibilidade de lesão.

É importante incentivar crianças e adolescentes à prática esportiva, contudo, é sabido que o risco de lesão é inerente a quem pratica a atividade. Logo, é imperativo que haja espaço para a prevenção às lesões.

Certifique-se de que seu filho esteja assessorado por profissionais capacitados e habilitados para tal cargo/função, pois a intensidade de um treinamento, a troca do tênis utilizado ou do piso da prática esportiva, pode influenciar decisivamente no gesto esportivo e na dor que ele venha apresentar. Cabe também aos pais, escolher clubes ou escolinhas que tenham uma boa infraestrutura. Isso faz a diferença na saúde de jovens esportistas. É fundamental estar amparado por profissionais qualificados.

Atualmente, os profissionais envolvidos com a medicina esportiva – sejam eles pediatras, ortopedistas ou fisioterapeutas – se valem de enorme arsenal técnico para investigação e tratamento. A intenção principal é evitar que esse atleta necessite de tratamento cirúrgico, pois além de ser invasivo, o afastaria por um bom tempo de sua atividade.

A fisioterapia esportiva vem se destacando já há algum tempo, haja vista, que traça um programa de tratamento voltado para a individualidade de cada atleta, respeitando assim, as peculiaridades anatômicas e músculo – esqueléticas (que difere do atleta adulto), reeducando seu gesto esportivo quando necessário e planejando seu retorno gradativo aos treinos, sem que haja sobrecargas iniciais.

Com o diagnóstico precoce e um tratamento eficaz, este jovem atleta terá um retorno rápido à sua atividade, aumentando assim, sua vida útil no esporte; afinal, quanto mais tempo ele permanecer treinando e sem lesões, mais terá qualidade de vida e chance de alcançar seus objetivos.

Fonte: Portal Educação

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